Na medida do possível
Na tarde que antecedeu este dia, uma pergunta sincera me alcançou o coração:
— Como estão as coisas?
Respondi com gratidão:
— Tudo vai bem.
Por consideração, devolvi a pergunta:
— E você, como vai?
A resposta veio rápida, dessas que tantas vezes pronunciamos quase sem perceber:
— Tudo vai bem, na medida do possível.
Quantas vezes essa mesma frase já fez parte das minhas respostas? Quantas vezes recorri a ela quando a vida não estava exatamente bem, mas ainda assim era preciso seguir?
Hoje, porém, acordei pensando nessas palavras de outro modo.
“Na medida do possível.”
Talvez não seja apenas uma maneira de dizer que estamos suportando o que podemos. Talvez seja também um convite.
Se existe uma medida do possível, quero usar a medida que me resta para não deixar de estender as mãos.
Se o que posso fazer é pouco, que esse pouco alcance alguém.
Se posso ouvir, que eu escute.
Se posso acolher, que eu acolha.
Se posso ajudar, que eu ajude.
Por isso, hoje meu bom-dia vem acompanhado de algo simples:
Se precisar de alguma coisa que esteja ao meu alcance, conte comigo. É só me falar.
Porque talvez a melhor maneira de viver na medida do possível seja fazer, dentro das nossas possibilidades, o possível por alguém.
Abioye Ras Barros




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