Duas Mil Léguas — Epílogo: À Primeira Vista…
- Abioye Ras Barros
- há 3 dias
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Atualizado: há 2 dias
EPÍLOGO
À PRIMEIRA VISTA…
À primeira vista, talvez o que escrevi e você leu não tenha ido ao encontro da sua
necessidade. Talvez algumas páginas tenham parecido distantes da sua realidade.
Talvez certas reflexões não tenham encontrado eco imediato dentro de você. E tudo bem.
Nem toda semente germina no mesmo dia em que toca a terra. Ao longo destas páginas,
caminhamos juntos. Percorremos memórias da infância. Visitamos antigas feridas.
Conversamos sobre o tempo. Sobre a saudade. Sobre as heranças invisíveis que
recebemos e aquelas que deixaremos para os que virão depois de nós. Encontramos
pergaminhos espalhados pela estrada. Alguns continham perguntas. Outros continham
respostas. E muitos continham apenas companhia. Talvez essa tenha sido a verdadeira
intenção deste livro desde o início. Não ensinar. Não convencer. Não apresentar verdades
absolutas. Mas acompanhar. Porque toda jornada humana possui momentos de silêncio.
Momentos em que precisamos apenas saber que alguém, em algum lugar, também refletiu
sobre as mesmas dúvidas. Também enfrentou os mesmos medos. Também procurou
significado entre as curvas da vida. Se alguma dessas palavras encontrou abrigo dentro de
você, então este livro cumpriu sua missão. Mas existe algo que aprendi durante esta
caminhada. As palavras possuem seu próprio tempo. Às vezes passam despercebidas.
Às vezes permanecem adormecidas durante anos. E então, num instante inesperado,
retornam. Surgem durante uma madrugada difícil. Durante uma despedida. Durante um
reencontro. Durante uma escolha importante. E revelam um significado que antes estava
escondido. Por isso, não me preocupo em saber quais páginas você lembrará. Nem quais
reflexões permanecerão com você. Confio na memória. Confio na vida. Confio no caminho
que cada leitor percorre. Quem sabe um dia, em um momento crítico da existência, sua
memória permita recordar uma dessas passagens. Uma frase. Um pergaminho. Uma
pequena reflexão. E que essa lembrança chegue antes que a dor se torne aguda. Antes que
o desânimo se transforme em desistência, antes que a solidão convença você de que está
sozinho. Porque algumas palavras não mudam o mundo. Mas podem mudar um instante.
E, às vezes, um único instante é suficiente para alterar uma vida inteira. Ao chegar até aqui,
você talvez tenha percebido que as duas mil léguas nunca foram uma distância geográfica.
Foi uma travessia interior. A distância entre o passado e a compreensão. Entre a ferida e a
cura, entre a dúvida e a esperança, entre quem éramos e quem estamos nos tornando. E a
verdade é que essa viagem não termina ao fechar este livro. Ela continua, continua em suas
escolhas. Em suas lembranças. Nas marcas que você deixará nas pessoas que ama. Nos
pergaminhos invisíveis que escreverá através de seus gestos, palavras e atitudes. Talvez
esse seja o legado mais importante. Não aquilo que acumulamos.
Mas aquilo que semeamos. Chegamos ao final destas páginas. Mas não ao final da estrada.
Há novos horizontes esperando. Novos aprendizados. Novas travessias.
Novos pergaminhos ainda por escrever. Se algum mérito existe nesta obra, ele pertence
também a você. Porque os livros não são completados apenas por quem os escreve. São
completados por quem os lê. Obrigado por caminhar comigo. Obrigado por compartilhar
estas duas mil léguas. E, antes de partir, deixo apenas uma última reflexão. Viva de tal
maneira que sua passagem pelo mundo se torne um pergaminho digno de ser lembrado.
Não pela fama. Não pela riqueza. Mas pela humanidade. Porque, no final de todas as
jornadas, são as marcas invisíveis que permanecem.
Eu e eu. Grato sou, grato estou!
A jornada continua…
Abioye Ras Barros

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